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Afinal, o que é uma educação inovadora?

Antes de tudo, educação e inovação são dois conceitos fundantes e que perpassam pelas pessoas muitas vezes sem a devida discussão, enraizados em posicionamentos superficiais. Se perguntar a qualquer adulto no mundo o que é educação e o que é inovação, com certeza, ele apresentará uma definição, que não será a mesma sua ou minha, o que é muito positivo, por sinal. Sempre brinco que a melhor forma de refletir e reaprender sobre algo que você acredita, seja uma ideia, um conceito, um projeto, é explicar isso para uma criança. Tente fazer isso, é sempre muito impactante. O objetivo aqui não é dicionarizar estes termos, mas demonstrar que as suas concepções estão atreladas aos sujeitos, suas formações, seus contextos e realidades.

Assim, entendo que educação, antes de qualquer coisa, é baseada em relações e trajetórias. Tendo isso como premissa, importante romper com a falsa correlação de educação e escolarização. Se educação perpassa por relações e trajetórias, fazemos isto ao longo de toda a vida, certo? Não apenas dos 5 aos 17 anos e depois na faculdade ou num curso profissionalizante. Somos sujeitos em constante aprendizado, algo que não se limita a uma etapa específica da vida. O processo de escolarização é sim fundamental na formação dos sujeitos e por isso é importante que cobremos políticas públicas e iniciativas que apresentem mudanças estruturais e que elevem a capacidade de aprendizado e formação de nossas crianças. Destaque aqui é para não nos limitarmos a ele, pois educação vai além, é contínua por toda a vida.

E por que temos falado tanto da necessidade de uma educação inovadora? A própria ideia de educação deveria abarcar princípios da inovação, como a capacidade de mudar realidades e a própria transformação de objetos e relações. A todo momento estamos inovando, pois aprendemos e criamos novos hábitos, temos novos encontros e mudamos a dinâmica das relações, que também é modificada, obviamente, pelas mudanças nos processos tecnológicos e sociais pelas quais passam as gerações. Sendo assim, seria um pleonasmo falarmos em educação inovadora. O que acontece, infelizmente, é justamente o contrário. Não pela concepção de educação que aqui coloquei, mas devido às metodologias e aos formatos que têm sido utilizados no último século no processo de ensino e aprendizagem, há, cada vez mais, uma demanda por inovação. Permanecemos utilizando nas escolas e instituições as mesmas práticas que eram utilizadas há um século atrás. Os alunos permanecem enfileirados em carteiras, com um professor falando na maior parte do tempo e os estudantes escutando, com um sinal sonoro avisando o termino de cada turno, disciplinas e cursos fragmentados, rigidez de métodos, horários e formatos, sem considerar a individualidade do processo para cada sujeito (sua trajetória).

Educadores questionam esses formatos há muitos anos. Não é recente a crítica ao modelo educacional vigente na maioria das instituições, porém poucas foram aquelas que realmente conseguiram romper com ele, por inúmeros fatores, culturais, sociais, econômicos e estruturais. É uma mudança que perpassa não só a escola, mas a sociedade na qual ela está inserida. Não precisamos tirar a educação de dentro da caixa, pois ela nunca esteve, mas sim as metodologias e práticas pedagógicas e inova-las.

O sujeito, criança ou adulto, dentro ou fora da escola, irá aprender algo. A questão é como uma instituição pode inovar nas suas práticas para que transformem positivamente a trajetória do sujeito e suas relações, a ponto de fazer mais sentido para ele estar lá dentro do que fora, de forma que sua trajetória perpasse aquelas pessoas, aquela localidade, aquela comunidade; como os professores enquanto mediadores podem potencializar a formação dos sujeitos, nas suas diversas dimensões, afetiva, espiritual, intelectual, relacional, social, emocional e motora.

A educação é inovadora quando se faz esse questionamento e começa a atuar intencionalmente para a transformação das trajetórias e das relações das pessoas, quando ela começa a fazer sentido para o sujeito e cria nele o desejo de ali estar ou de estudar. E existem diversos formatos para isso, envolvendo tecnologias ou não, envolvendo novas estruturas ou não, novos tempos e espaços.

Este é o objetivo do PlugMinas enquanto instituição, potencializar as conexões que criamos, capacitar os jovens que aqui passam e tornar este espaço um ambiente agradável de aprendizagem, que faça sentido para eles estarem aqui. Cada núcleo tem sua autonomia nesse processo, mas partindo dessas premissas comuns, considerando a coletividade do processo mais a individualidade dos sujeitos. Da mesma forma que cada pessoa possui sua trajetória, seu aprendizado ao longo da vida, o Plug também vai se aprimorando e buscando cada vez mais ampliar esse diálogo e auxiliar na transformação da vida de mais jovens mineiros.

Autor: Lucas Evencio, Diretor Geral PlugMinas

 

 

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